Os pobres de espíritos
Famintos de entretenimento
Os cômodos
Sedentos de ilusão
Estagnados bem onde eu quero
Onde eu os manipule
E o pouco que eu ofereço
Pareça-lhe exagero
Apenas sonho de consumo
Apenas novidades fúteis
Atraentes aos olhos
Imponente aos olhares
Futilidades maquiando
Quem realmente você é
Te tenho onde eu quero
Faço de você o que quero
O máximo que você pede
É mais do meu veneno
Em variados níveis de dose
É mais do meu pouco conteúdo
Eu que sustento vocês com tão pouco
Faço o mundo parecer
Somente aquilo que teus olhos querem ver
Teus espíritos famintos
Pedindo mais e mais
E eu alimento vocês de ilusão
Eu nunca falo sobre o certo e o errado
O bonito e o feio
O bom e o ruim
O doce e o amargo
O interessante e o sem graça
Os honestos e os desonestos
O positivo e o negativo
O caro e o barato
O necessário e o fútil
O útil e o inútil
Eu apenas os defino
Para que vocês tenham mais tempo
Pro meu doce veneno
Eu nunca procurei vocês
Mais vocês estão ali
Exigindo mais e mais de mim
E todo tanto pouco é tanto
E eu idéia de um louco
Cresci aos poucos
Hoje estou na sua sala
E te digo tudo que você quer saber
Omito tudo que você não precisa saber
Você me diz o que quer
Eu que apenas alimento seus pobres espíritos
Famintos de tão pouco conteúdo
Hoje vejo que eu te ofereço de tudo
E tudo que eu tenho na verdade não te serve mais
Por que amanhã chegam mais novidades
Como vocês amam
Ah! Como vocês amam variedades
Vocês esgotando seus bolsos
Seus valores morais
Teu suor dedicado a mim
Teu salário por mim
Tudo por mim
Todos vocês por mim
Vocês que me chamam de TELEVISÃO
Um mundo de ilusão que tão pouco nós fazemos para reverter. Mídia? Não! O nome deveria ser manipulação. Faço de suas palavras, as minhas. Adorei o poema, adorei o jeito como foi escrito.
ResponderExcluirAdoro ler e principalmente escrever. A forma como você escreve é do jeito que eu gosto de me envolver. Leitura profunda, que faz a gente pensar antes de chegar em uma conclusão. Escrevo também e o que mais curto é viajar nessa maravilhosa arte. Você viajou, mas viajou na realidade em que vivemos. Parabéns!
Continue escrevendo,adoraria ler mais desses.
Abraços.